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Os primeiros meses da gestão do desembargador Eduardo Uhlein têm sido marcados pela distância entre discurso e prática. Podemos dizer que o primeiro desses episódios ocorreu há seis meses, em novembro de 2025. Ainda em campanha para a presidência do Tribunal de Justiça (TJRS), o então candidato concedeu entrevista para a Direção do Sindjus RS. Na ocasião, firmou compromisso com o sindicato por uma política de recomposição salarial anual dos servidores, em contraponto com a postura atual que se destaca pela falta de ações concretas para garantir essa valorização.

No mês de março, na primeira reunião com o novo presidente do TJRS, a direção sindical apresentou uma série de reivindicações, reforçadas em um documento protocolado dias depois com os encaminhamentos da Assembleia Geral da categoria. A contradição aqui está na diferença entre o discurso do presidente, que reafirma o diálogo mas não efetiva nenhuma ação para que isso se concretize.

Passemos agora para abril. Ao analisar as medidas sancionadas pela atual Administração, as únicas demandas contempladas até aqui foram as da magistratura.

Em três meses de gestão, Uhlein instituiu a Parcela de Valorização por Tempo de Antiguidade na Carreira (PVTAC), que garante aos magistrados ativos e aposentados um aumento de até 35% no subsídio a cada cinco anos trabalhados, além da Gratificação de Proteção à Primeira Infância – antes conhecida como “auxílio-creche” – que prevê pagamento de até 3% do valor do subsídio.

Enquanto isso, em relação aos servidores, o presidente não avançou um centímetro em relação à promessa de “simetria remuneratória” com os demais Tribunais e mantém o TJRS no ranking de piores salários entre os Tribunais de Justiça do país.

Importante ressaltar que nossa crítica não é às conquistas da magistratura, mas à Administração, que tem tratado de forma desigual as diferentes categorias do TJRS, em evidente contraste com a postura de Uhlein antes de ser empossado.

A nossa luta é por uma valorização real de todo o Poder Judiciário. Se o orçamento do Tribunal de Justiça é o mesmo para servidores e magistrados, cabe à Administração garantir a equidade no tratamento e na política remuneratória para ambos.

Neste sentido, estamos construindo nossa Campanha Salarial de 2026, dando o pontapé inicial nesta quinta-feira (14) com atos regionais e com uma crescente que, caso o diálogo institucional não avance, se estende com a realização do “Apagão no Judiciário” na semana seguinte, 21 de maio (quinta-feira), e com a Assembleia-Ato Estadual em Porto Alegre, na última sexta-feira (29) do mês.

Entramos agora em um momento decisivo da nossa luta por valorização e justiça. Ao lado das servidoras e dos servidores, buscamos manter viva a força da classe trabalhadora. Sem valorização, o selo ouro vira latão!