Servidores decidem manter a greve 

    Paralisação de 29 dias já é a mais longa da década

     

    A greve dos servidores do Judiciário completou 29 dias nesta terça-feira (22) com uma grande mobilização em frente à Assembleia Legislativa. A paralisação já superou as greves de 2012 e 2015,  com duração de 22 e 21 dias, respectivamente. 

    Organizados em caravanas, servidores de todo o RS vieram a Porto Alegre para acompanhar a tramitação dos projetos de interesse da categoria. Na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o projeto de lei 218/2017, sobre a recomposição parcial das perdas inflacionárias dos servidores, teve o parecer favorável do deputado Luiz Fernando Mainardi (PT) rejeitado pela maioria de votos. O PL foi redistribuído e terá como relator o deputado Elton Weber (PSB) para elaborar novo parecer. “O resultado já era esperado, uma vez que a composição da Comissão tem em sua maioria parlamentares da base aliada do governo, que é contrário à reposição salarial dos trabalhadores. Outro fator que contribuiu para esse resultado foi o andamento no STF das ADIs dos governos emedebistas questionando as reposições anteriores. Agora vamos nos reunir com o relator para trabalhar pela construção de um novo parecer favorável”, avaliou o coordenador geral do Sindjus, Fabiano Zalazar. 

    Na assembleia geral, os trabalhadores reunidos deliberaram pela continuidade da greve e aprovaram a chamada extra, um desconto adicional da contribuição sindical sobre o 13º salário. Apesar de sustentar que está aberta ao diálogo, a presidência do Tribunal de Justiça recusou-se a receber representantes sindicais justamente nos dias que antecederam a data de fechamento do ponto dos servidores. A direção sindical denuncia a  intransigência do presidente do Tribunal em relação ao movimento paredista. “O corte de ponto é uma realidade na maioria dos movimentos paredistas, mas sempre busca-se uma conciliação sobre o tema. O Tribunal precisa negociar com a categoria uma solução razoável, uma vez que os trabalhadores estão apenas exercendo seu direito constitucional de manifestação”, pontuou o diretor jurídico do sindicato, Osvaldir Rodrigues.

    Em função do falecimento do ex-deputado Tufy Salomão, a sessão plenária desta terça-feira foi cancelada. Nova assembleia geral está sendo preparada para a próxima terça-feira (29). Ao longo desta semana, servidores e representantes sindicais seguem na articulação contra a aprovação do PL 93/2017, visitando deputados de todas as bancadas para esclarecer sobre os prejuízos que a extinção dos cargos de oficial escrevente representam para os mais de 3 mil trabalhadores e suas famílias.