Entidades e movimentos sociais unem-se em defesa da CEEE pública e do RS

Foi lançada nesta quinta-feira (7) em reunião virtual a Frente em Defesa da CEEE e do Estado do RS. Com a participação de representantes de entidades sindicais, movimentos sociais, parlamentares e lideranças políticas estaduais e municipais, o encontro teve por objetivo definir estratégias da luta conjunta contra a privatização da CEEE-D. No início do encontro, realizado pela plataforma Google Meet, a reunião foi invadida por hackers bolsonaristas com objetivo de inviabilizar a atividade, uma ação que, na avaliação do diretor do Sindjus/RS, Fabiano Zalazar, expõe “o caráter antidemocrático dos grupos que apoiam os governos contrários ao serviço público e a nossa luta pela manutenção de direitos”.

Em poucos minutos, o encontro foi retomado em outra sala virtual. Na abertura, o deputado estadual Jeferson Fernandes (PT), um dos proponentes da Frente, enfatizou a importância de unificar a luta contra a venda da estatal, com iniciativas massivas de sensibilização da sociedade e atuação política nas esferas municipal e estadual. As lideranças e representações presentes ao lançamento passaram a apontar sugestões de estratégias para a campanha conjunta, com propostas de ações de comunicação e mobilização social e política. Com o propósito principal de barrar o leilão, previsto para o dia 3 de fevereiro, a ideia da frente é construir uma ampla rede de circulação de informações para fazer o contraponto ao discurso da mídia hegemônica que apoia o governo Leite na linha privatista, para esclarecer à população gaúcha sobre as irregularidades do processo de venda e os posteriores prejuízos decorrentes da privatização. 

Entre os argumentos apresentados pelos participantes, destacou-se o evidente caminho de desmonte e precarização propositalmente conduzido pelos últimos governos para justificar a venda da estatal. Foi apontado, ainda, retrocesso representado pela medida defendida pelo governador do RS, na contramão do restante do mundo. Nos últimos anos, a tendência em diversos países é um processo de reestatização de empresas privatizadas em razão da queda na qualidade dos serviços prestados e dos altos valores repassados à população. Nessa onda de recuperação, destacam-se países como Alemanha, França, Espanha e Reino Unido. Há, ainda, uma grande preocupação com o futuro dos mais de 3200 trabalhadores da Companhia.

“Defendemos que a CEEE permaneça como empresa do povo gaúcho, comprometida com o desenvolvimento econômico e social do estado”, destacou o dirigente do Sindjus, Fabiano Zalazar ao manifestar o apoio total do sindicato na luta contra a privatização. Como representante da Fenajud na região Sul, o diretor de política e formação sindical do Sindjus, Marco Velleda, apontou a importância da organização de atos de mobilização para reforçar a luta pela Companhia.

Além de ações coordenadas em meios de comunicação e nos canais institucionais das entidades que integram a frente, a articulação com prefeituras e câmaras municipais de cidades atendidas pela CEEE-D, e que terão inclusive perda de receita decorrente da renúncia bilionária de ICMS com a venda da emoresa. Alternativas de judicialização para questionar as irregularidades na condução do processo e cobrança de posição do Ministério Público de Contas sobre o tema também estão entre as iniciativas já tomadas e outras que estão por vir nos próximos dias.