Coletivo pela Igualdade Racial do Sindjus retoma atividades e fortalece luta antirracista

O Coletivo pela Igualdade Racial do Sindjus (CIRS) retomou as atividades nesta sexta-feira (11), com o objetivo de fomentar e ampliar a luta antirracista dentro do Poder Judiciário e em parceria com as lutas sociais.  Desativado há seis anos, a retomada das atividades do CIRS, assim como de outros coletivos e grupos de trabalho, são compromissos da atual gestão de mobilização e fortalecimento do trabalho de base sindical.

 

O diretor de Política e Formação Sindical do Sindjus, Marco Velleda, falou que o encerramento do 2020, apesar de todas as dificuldades do momento, deixa o legado de retomada das atividade do coletivo, e “que a nossa bandeira não pode mais ser jogada fora, pois o coletivo é da base”, afirmou. Ele também destacou a importância de conscientizar os demais servidores para que a luta e militância antirracista não seja apenas do lado de fora, mas também dentro e no cotidiano do Judiciário: “Temos voz e não vamos nos calar”.

 

Também participaram da reunião Ari Ávila, Euclides Alves, Márcia Amaro, Luiz Mendes, Luiza Freitas, Silvia Vasconcellos e Vitória Fidelis, que participa também do  Coletivo Diversa.

 

A primeira reunião desta nova etapa dos trabalhos do CIRS contou com a participação da vereadora eleita de Porto Alegre Daiana Santos, que vai compor a primeira bancada negra e comprometida com a luta antirracista do Legislativo municipal: “Agora a gente vai ser resistência ocupando espaços de poder”.

 

Daiana trouxe reflexões sobre como o Brasil ainda vive as profundas consequências da escravidão, com o racismo estrutural presente em todas as relações sociais e culturais: “Olhar para a luta antirracista é olhar também para questões como o transporte público, saúde, educação, assistência social, e que estão negligenciadas e nunca estiveram a nosso favor”.

 

A vereadora eleita falou também da linguagem utilizada pelo Poder Judiciário, que afasta as comunidades, e que isso também é uma forma de manutenção classista e, neste sentido, citou a importância que o trabalho do CIRS terá nessa luta: “O coletivo se une a vários coletivos e várias outras vozes: eu me sinto fortalecida para seguir”, ressaltou colocando também o futuro mandato à disposição para construir essas lutas com o sindicato.

 

A reunião teve como encaminhamento o monitoramento do cumprimento da Resolução 336/2020 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que prevê 20% das vagas de estágio para negros. No entanto, como o processo seletivo não é unificado, a determinação não está sendo cumprida. Da mesma forma, o CIRS vai analisar medidas para que a Resolução 203/2015, que estabelece as cotas para servidores também seja efetivada nos casos de vagas de cadastro reserva.

 

O Coletivo pela Igualdade Racial do Sindjus (CIRS) ainda deliberou pela realização de um evento no dia 21 de março, Dia Internacional da Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial; a produção de um Manual Antirracista para o primeiro semestre de 2021, e a criação de um canal de denúncia de discriminação racial.

 

As reuniões ordinárias do CIRS acontecerão na última sexta-feira de cada mês. O próximo encontro será no dia 29 de janeiro de 2021, às 19h.