BASE GOVERNISTA RETIRA QUÓRUM E ADIA REPOSIÇÃO SALARIAL

    “Infelizmente estamos disciplinados a votar contra”. As palavras do deputado Catarina Paladini (PR) para um diretor sindical anteciparam na manhã desta terça-feira, 18/12, o que aconteceria mais tarde no plenário. Na hora decisiva os parlamentares aliados do governador Sartori e do sucessor Eduardo Leite se retiraram do local, e sem votar, sendo eles maioria, empurraram para 2019 os projetos de recomposição de salários dos servidores do Judiciário, Defensoria Pública, Tribunal de Contas, Ministério Público e da Assembleia Legislativa – “Por conta dos acordos entre os governos sabíamos que não seria fácil e não iríamos iludir a categoria com falsas expectativas, mas mesmo assim queríamos que de forma democrática os deputados justificassem o voto, mesmo que fosse o “não”, porque isso faz parte da democracia, aprovar ou rejeitar um projeto. Agora a omissão é covardia do parlamento”, opina o diretor do SINDJUSRS, Aguinaldo Martins. O governador eleito Eduardo Leite (PSDB), pelos jornais, comemorou o adiamento da votação da reposição. Ele já conta com pelo menos 35 deputados em sua base aliada.
    UM DIA DE ESPERANÇA
    O verde das camisetas, bandeiras e faixas do SINDJUSRS esteve presente com força nas dependências da Assembleia Legislativa neste dia 18 de dezembro. Eram mais de 200 servidores, na torcida por uma virada nas votações. Vieram de diversas comarcas do estado e foram recebidos na barraca do sindicato armada na Praça da Matriz. Por volta das 11 horas começaram a mobilização nos corredores do segundo andar, onde ocorreria a reunião do colégio de líderes. Embretados pelos seguranças no hall de acesso à sala da presidência, aguardaram os deputados selecionarem, de um total de 110 proposições da ordem do dia, os 43 projetos que seriam votados. Por volta das 13hs os servidores se reuniram no terceiro andar, para discutir estratégias de atuação no plenário. Os participantes concluíram que seria melhor não vaiar as manifestações da bancada governista. Nenhum tipo de justificativa seria dado aos parlamentares contrários aos projetos de interesse da categoria.
    LOTAÇÃO ESGOTADA
    A união com colegas de outras classes do funcionalismo resultou na ocupação de todos os espaços disponíveis para o público no plenário. As manifestações eram pelo requerimento que pedia a inversão da extensa pauta, na tentativa de agilizar a votação. Também foi solicitado à mesa diretora, com documentos assinados, que se impedisse a ausência de parlamentares que caracteriza o quórum insuficiente, mas não adiantou. Os deputados aliados se retiraram na hora da votação do PL’s, e a revolta foi geral. A repetição dos gritos de palavras como “Respeito” e “Vergonha” foi incontrolável.
    POSSIBILIDADES
    No final da sessão o deputado Pedro Ruas (PSol) levantou a possibilidade de, após conversar com o presidente da ALRS, deputado Marlon Santos (PDT), requerer uma sessão extraordinária para votar os projetos de reposição até o dia 31 de janeiro, data em que terminam os mandatos dos deputados que não se reelegeram. Pelas redes sociais muitos servidores criticaram a postura do Tribunal de Justiça do RS, que apesar de encaminhar o projeto de reposição, não apoiou a luta dos trabalhadores para garantir essa conquista. O Coordenador Geral do SINDJUSRS, Marco Aurelio Ricciardi Weber, que por motivos de saúde não pode comparecer ao evento, mais uma vez destacou a atuação dos dirigentes sindicais e o apoio fundamental da esmagadora maioria da base, que atendeu ao chamamento da direção – “As adversidades se multiplicam, todavia resta a convicção de que tudo tem sido feito para atingir o nosso objetivo. Nunca enganamos a ninguém, dizendo que o jogo estava ganho, o que é muito diferente do que desestimular. A verdade é sempre a melhor política”, arrematou.