PARALISAÇÕES: MUDANÇA DE HORÁRIO, IMPACTO PROVOCADO E OS PRÓXIMOS PASSOS

    A paralisação das atividades feita no início da tarde, no período entre 14h e 15h, parece ter surtido mais efeito e chamado mais a atenção de quem frequenta os Foros do RS. A avaliação foi feita por muitos servidores que participaram da primeira mobilização realizada neste turno, nesta quarta-feira, 8 de maio, em dezenas de comarcas do Estado. Para eles, foi mais assertiva a nova estratégia adotada a partir de uma deliberação da mais recente reunião com representes de comarcas: “É um horário de pico no foro e com grande movimentação de advogados e das partes. Acredito que, se a paralisação se estendesse por mais tempo, impactaria ainda mais”, diz a representante da comarca de Sapucaia do Sul, Domênica Calábria.

    Em Passo Fundo, a representante de comarca Adriana Karpinski compartilha da mesma opinião, entendendo que a mobilização na parte da tarde surtiu mais efeito. Segundo ela, diante das circunstância verificadas, os servidores da comarca tiveram que tomar cuidado para cumprir o que diz a lei de greve – “os colegas se revezaram no atendimento para manter o percentual de 30% dos servidores em atividade”.

    Na comarca de Horizontina, conforme relata a distribuidora contadora Dagmar Cristina Fliegner, 10 servidores participaram dos protestos no saguão do foro, devido às fortes chuvas registradas. A mobilização contou com o apoio dos advogados e da comunidade, que aguardaram e respeitaram o horário de paralisação – “é muito importante saber que contamos com a compreensão da sociedade onde atuamos”, disse ela. Em Pelotas, os servidores da ativa contaram com o apoio dos aposentados, que fecharam a rua e protestaram contra o descaso com o servidor por parte da administração e contra a Reforma da Previdência: “ainda que nem todos parem, espera-se que o nosso empregador note os computadores desligados, indicando a paralisação”, afirmou a aposentada Márcia Amaro.

    As paralisações devem continuar sendo realizadas nas comarcas de todo o estado, todas as quarta-feiras, entre 14h e 15h, enquanto o Tribunal de Justiça do Estado não der resposta às reivindicações elencadas na assembleia geral de 15 de março. Elas são um dos instrumentos de pressão para a conquista da reposição salarial de 23,8%, e dos demais itens da pauta entregue ao presidente do tribunal Carlos Eduardo Zietlow Duro. O SINDJUSRS não descarta a deflagração de greve geral, que só não ocorreu ainda porque, por enquanto, a categoria optou pelas paralisações, e o TJ não deu respostas às reivindicações protocoladas.

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